Vale a aposta?

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Motor Show
30/07/2018
Vale a aposta?

Trocar o tradicional crossover-SUV japonês Honda WR – V pelo novato chinês T40 representa economia de quase R$ 15.000. E você ainda leva um carro bem mais equipado. Mas será que vale mesmo a pena?


Motivo de piada no passado por sua qualidade (supostamente) duvidosa, eles demoraram a ser respeitados. Hoje, são tão bons quanto – ou melhores – que os demais. Assumiram a liderança em diversas fatias de mercado, em diferentes mercados. Sim, os carros japoneses enfim são admirados. Por esse mesmo processo passaram depois os carros coreanos, e agora, os chineses.


Talvez o melhores chinês vendido hoje no Brasil, o crosser-SUV JAC T40 já desafiou aqui hatches aventureiros como o Onix Activ – e vencer (MOTOR SHOW 411). Agora, com o novo motor 1.6 e, enfim, câmbio automático, vai encarar um rival mais difícil. Porque se esse T40 tem preço atraente, de hatch aventureiro (R$ 70.990), ao menos em teoria tem porte e qualidade para encarar “legítimos” crossovers-SUVs.


Então botamos o JAC para brigar com o Honda WR-V, um daqueles orientas já consagrados. Rival duro, pois deriva do FIT, carro com proprietários muito satisfeitos. Por R$ 85.190 nessa versão EXL, o Honda pode não ser barato, mas representa toda a tranquilidade e a confiabilidade atribuída aos japoneses. Então a questão é: entre um (agora) tradicional modelo japonês ou uma novidade chinesa, vale a aposta no último?


Em teoria, o T40 tem tudo para ganhar. Na ponta do lápis, economiza-se R$ 14.200 – ou 16,6% do valor do Honda. Uma bela diferença. Além disso, o chinês tem dimensões maiores, motor 21 cv mais potente que o 1,5 do Fit, câmbio também CVT – com vantagem de simular marchas – e, ainda, vem mais equipado: só ele tem ar digital, bancos de couro, faróis automáticos que iluminam curvas e start-stop, entre outros itens (veja tabela). Na segurança, o chinês leva vantagem por ter controle de estabilidade, auxílio em rampa e monitor de pressão dos pneus, mas deve ao japonês os airbags extras. Já nas centras multimídias, dupla decepção: ambas são ruins de usar e sem Android Auto/Apple CarPlay.

Na prática, porém, a coisa muda de figura. O T40 de fato mima mais o motorista e conta com uma cabine com acabamento mais caprichado, principalmente por conta do couro, boa ergonomia. Mas os bancos, embora acomodem bem, são menores e um tanto duros, e o espaço não são tão bem aproveitados: o WR-V tem mais porta-objetos e banco traseiro melhor para joelhos e o terceiro passageiro, além de levadiço. Para completar, o porta-malas é o melhor no acesso, e na forma (os 450 litros do T40 são até o teto; até a tampa tem uns 320, menos que no Honda); além disso, suas portas grandes e com maior ângulo de abertura facilitam o acesso – pior no JAC.


No papel, pequena vantagem do T40 no desemprenho e do WR – V no consumo. Mas, além de só o Honda ser flex, sua dirigibilidade é mais redonda. Se ao volante o japonês não emociona, conquista por sua precisão – tem direção, freio e acelerador progressivos e, acima de tudo, motor a câmbio muito bem entrosado. Assim, apesar de o CVT não simular marchas como no rival, o WR-V vai bem, principalmente na cidade. As saídas são espertas, sem muito da “patinação” típica dos CVTs e, em uma condução suave, os giros ficam baixos, como o consumo. Quando se pede mais, o modo Sport reduz a relação para subir as rotações, mas o ruído incomoda. Já as suspensões robustas aguentam muito bem buracos e valetas, mas são piores que as do Fit nas curvas – e na estrada a direção é um pouco leve demais.


Essas últimas duas falhas se repetem no JAC, que ainda é mais sensível aos buracos. No nível de ruído, porém, o chinês agrada mais, principalmente na estrada – onde, apesar do câmbio mais curto (3.00 RPM a 120 km/h, contra 2.500 do Honda), na prática foi tão econômico quanto (empataram em 14 km/1 na estrada de 11 na cidade). E se a mecânica do JAC também atua bem em uma condução em baixa, quando se exige mais ele decepciona. A caixa patina muito nas saídas e subidas, e o carro nem sempre entende o que você quer. Ao menos CVT simula marchas para quebrar o tédio. E tem o modo manual, que permite um uso bem melhor do bom motor 1.6. Faltaram borboletas no volante para facilitar o uso desse recurso, que realmente garante uma tocada mais divertida ao SUV.


Então, dá para economizar os quase R$ 15.000 sossegado? O JAC T40 CVT é mesmo um negócio da China? Poupar na compra compensará a (suposta) desvalorização maior do chinês (não dá para cravar que será assim, mas nesse ponto o Honda é quase garantia, e o JAC uma aposta?). E outros riscos inerentes a essa “aposta”? .A garantia de seis anos do JAC, contra três do Honda, é suficiente para te deixar dormir tranquilo?


O fato é que na teoria o T40 é mais equipado e potente e bem mais barato, um melhor negócio, enquanto na prática, embora represente uma enorme evolução dos chineses e seja de fato agradável de guiar, não é tão precioso ao volante e nem tão versátil ou espaçoso quanto o WR-V. Temos, então, um empate: se você é do tipo cauteloso, sugerimos pagar o valor extra no Honda e ter a “garantia” de um japonês na garagem; agora se você tem um maior apetite pelo risco, o chinês JAC T40 pode sim, valer a aposta.